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Novo tratado facilita regresso de Portugal aos mercados

Escrito em 6 de Dezembro de 2011 | por :

A garantia de reembolso aos investidores facilita o regresso de Portugal e Irlanda aos mercados.

O regresso de Portugal e Irlanda aos mercados ficará mais fácil por a emissão futura de dívida soberana não incluir cláusulas especiais que abrem a porta a uma potencial reestruturação. Ontem, os líderes da França e Alemanha deixaram claro que os investidores em títulos de dívida pública na zona euro serão reembolsados na totalidade, afastando a ideia de uma imposição automática de perdas aos credores do bloco.

Esta é uma das linhas de “refundação” da zona euro que Nicolas Sarkozy e Angela Merkel terão de fazer aplicar na quinta e sexta-feira, na cimeira europeia, com os outros líderes do euro, onde se formará uma união orçamental inscrita no Tratado (ou num anexo). Ficou claro que a salvação do euro só poderá vir do Banco Central Europeu – e estas são as garantias para continuar a comprar dívida – porque os dois líderes enterraram de vez os ‘eurobonds’.

Numa aparente cedência de Berlim, Angela Merkel defendeu a necessidade demonstrar que “uma emissão de um Estado da zona euro não é menos segura que de outro país”-, aliás há que deixar claro que “o euro é uma zona segura para investir”. A Grécia, explicou, “é e será uma excepção”.

Berlim parece assim renunciar à ideia de incluir cláusulas de acção colectiva (que facilitam a reestruturação), desenhadas especialmente para o mecanismo europeu de estabilidade (o MEE, que será o futuro fundo de resgate que é agora antecipado para 2012). E adopta a metodologia do FMI. “Criarmos uma regra europeia desestabilizaria os mercados, vamos seguir a jurisprudência do FMI”, explicou a chanceler. Para Nicolas Sarkozy, “trata-se de dizer aos aforradores que no euro pagamos as nossas dívidas, cortamos o défice e regressamos ao crescimento através da confiança”.